16 de mar de 2010

Seminário-encontro Estudos de Gênero na USP



O estudo das relações de gênero surge da proliferação dos chamados “estudos das mulheres”, que se iniciam nos anos 80 e são aprofundados pelo feminismo no interior da academia. Diferentes movimentos feministas começam a debater a condição da mulher no Brasil. As ciências humanas e sociais, particularmente a sociologia, a demografia e a historia, e em seguida a área de saúde, educação, direito, economia e políticas públicas, entre outras, produzem trabalhos abordando diferentes temáticas, com uma perspectiva de re-descrever a mulher. Assim, os estudos de gênero no Brasil crescem em qualidade e quantidade nos últimos 25 anos. O Núcleo de Estudos da Mulher e das Relações de Gênero da USP, fundado em 1985, tem um papel seminal neste processo. Este evento é um encontro para celebrar este quarto de século e vislumbrar o futuro, num diálogo das várias gerações de ativistas e pesquisadore(a)s.
Data: 26/03/10 das 8h30 às 17h15
Local: FSP/USP - Av. Dr. Arnaldo, 715 - Sala Cyro Ciari
Programação:
8:30 - Café da manhã e inscrições
9:00 - Apresentação: Boas vindas, porque este encontro e 25 anos do NEMGE
9:30 - A promoção ds estudos da mulher: a experiência da Fundação Carlos Chagas (Albertina Costa, FCC)
10:00 - Os estudos Gênero na área de Saúde (Ana Flávia d'Oliveira, FM, ABRASCO)
10:30 - Gustavo Venturi - Os estudos sobre mulher saem da academia: a pesquisa "Mulheres Brasileiras, nos Espaços Públicos e Privados".
11:00 - Debate
12:30 - Almoço e exposição de publicações e material áudio-visual
14:00h - Gênero na Graduação: ensino, pesquisa e extensão. Elizabete Franco (EACH)
14:30 - Feminismo jovem na USP: alunas de graduação (Janaína Calu –CAER/DCE)
15:00 - Gênero na Extensão - propostas: o TCendo e a Oficina dos Direitos da Mulher
15:30 - Lançamento do blog das disciplinas de graduação e pós-graduação que lidam com gênero
15:45 - Proposta da/s disciplina/s coletiva/s: composição de um grupo de trabalho.
16:00 - Debate
17:00 - Próximos encontros e informe sobre eleições do NEMGE
17:15 – Encerramento
Realização: NEMGE - Núcleo de Estudos da Mulher e das Relações de Gênero
Apoio: Comissão de Cultura e Extensão Universitária (CCEx.) da FSP/USP
Inscrições gratuitas pelo SITE DA FSP-USP    http://www.fsp.usp.br/
Serão fornecidos certificados de participação.
Mais informações com Claudia Pedrosa, pelo e-mail: pedrosaclaudia@gmail.com

12 de mar de 2010

ARTIGO: 8 de Março: conquistas e controvérsias (Eva Alterman Blay)

Este artigo foi publicado na Revista de Estudos Feministas, vol 9 N.2/2001:601-608.



8 de Março: conquistas e controvérsias
Eva Alterman Blay


Resumo: O Dia Internacional da Mulher foi proposto por Clara Zetkin em 1910 no II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas. Nos anos posteriores a 1970 este Dia passou a ser associado erroneamente a um incêndio que ocorreu em Nova Iorque em 1911. Neste artigo procuro recuperar a história do Dia 8 de Março e as distorções que tem sido feitas sobre ele e sobre a luta feminista.


Palavras chave: história do feminismo, operárias judias; operarias italianas; política, movimentos sociais.


O dia 8 de março é dedicado à comemoração do Dia Internacional da Mulher. Atualmente tornou-se uma data um tanto festiva, com flores e bombons para uns. Para outros é relembrada sua origem marcada por fortes movimentos de reivindicação política, trabalhista, greves, passeatas e muita perseguição policial. É uma data que simboliza a busca de igualdade social entre homens e mulheres, em que as diferenças biológicas sejam respeitadas mas não sirvam de pretexto para subordinar e inferiorizar a mulher.

As mulheres faziam parte das “classes perigosas”
No século XIX e no início do XX, nos países que se industrializavam, o trabalho fabril era realizado por homens, mulheres e crianças, em jornadas de 12, 14 horas, em semanas de seis dias inteiros e freqüentemente incluindo as manhãs de domingo. Os salários eram de fome, havia terríveis condições nos locais da produção e os proprietários tratavam as reivindicações dos trabalhadores como uma afronta, operárias e operários considerados como as “classes perigosas”. Sucediam-se as manifestações de trabalhadores, por melhores salários, pela redução das jornadas e pela proibição do trabalho infantil. A cada conquista, o movimento operário iniciava outra fase de reivindicações, mas em nenhum momento, até por volta de 1960, a luta sindical teve o objetivo de que homens e mulheres recebessem salários iguais, pelas mesmas tarefas. As trabalhadoras participavam das lutas gerais mas, quando se tratava da igualdade salarial, não eram consideradas. Alegava-se que as demandas das mulheres afetariam a “luta geral”, prejudicariam o salário dos homens e, afinal, as mulheres apenas “completavam” o salário masculino.
Subjacente aos grandes movimentos sindicais e políticos emergiam outros, construtores de uma nova consciência do papel da mulher como trabalhadora e cidadã. Clara Zetkin, Alexandra Kollontai, Clara Lemlich, Emma Goldman, Simone Weil e outras militantes dedicaram suas vidas ao que posteriormente se tornou o movimento feminista.
Clara Zetkin propôs o Dia Internacional da Mulher
Clara Zetkin (1857-1933), alemã, membro do Partido Comunista Alemão, deputada em 1920, militava junto ao movimento operário e se dedicava à conscientização feminina. Fundou e dirigiu a revista Igualdade, que durou 16 anos (1891-1907).
Líderes do movimento comunista como Clara Zetkin e Alexandra Kollontai ou anarquistas como Emma Goldman lutavam pelos direitos das mulheres trabalhadoras, mas o direito ao voto as dividia: Emma Goldman afirmava que o direito ao voto não alteraria a condição feminina se a mulher não modificasse sua própria consciência.
Ao participar do II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhagem, em 1910, Clara Zetkin propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher sem definir uma data precisa. . Contudo, vê-se erroneamente afirmado no Brasil e em alguns países da América Latina que Clara teria proposto o 8 de Março para lembrar operárias mortas num incêndio em Nova Iorque em 1857. Os dados a seguir demonstram que os fatos se passaram de maneira diferente.
O movimento operário nos Estados Unidos
Assim como na Europa, era intenso o movimento trabalhador nos Estados Unidos desde a segunda metade do século XIX, sobretudo nos setores da produção mineira e ferroviária e no de tecelagem e vestuário.
A emergente economia industrial norte-americana, muito instável, era marcada por crises. Nesse contexto, em 1903 formou-se, pela ação de sufragistas e de profissionais liberais, a Women’s Trade Union League para organizar trabalhadoras assalariadas. Com as crises industriais de 1907 e 1909 reduziu-se o salário dos trabalhadores, e a oferta de mão-de-obra era imensa, dada a numerosa imigração proveniente da Europa. Grande parte dos operários e operárias era de imigrantes judeus, muitos com um passado de militância política.
No último domingo de fevereiro de 1908, mulheres socialistas dos Estados Unidos fizeram uma manifestação a que chamaram Dia da Mulher, reivindicando o direito ao voto e melhores condições de trabalho. No ano seguinte, em Manhatan, o Dia da Mulher reuniu 2 mil pessoas.
Problemas muito conhecidos do operariado latino-americano impeliam trabalhadores e trabalhadoras a aderir às manifestações públicas por salários e pela redução do horário de trabalho. Embora o setor industrial tivesse algumas grandes empresas, predominavam as pequenas, o que dificultava a agregação e unicidade das reivindicações. O movimento por uma organização sindical era intenso e liderado no setor de confecções e vestuário por trabalhadores judeus com experiência política sindical, especialmente da União Geral dos Trabalhadores Judeus da Rússia e da Polônia (Der Alguemayner Yiddisher Arbeterbund in Russland un Poyln  BUND) .
Para desmobilizar o apelo das organizações e controlar a permanência dos trabalhadores/as, muitas fábricas trancavam as portas dos estabelecimentos durante o expediente, cobriam os relógios e controlavam a ida aos banheiros. Mas as difíceis condições de vida e os baixíssimos salários eram forte incentivo para a presença de operários e operárias nas manifestações em locais fechados ou na rua.
Uma das fábricas, a Triangle Shirtwaist Company (Companhia de Blusas Triângulo), para se contrapor à organização da categoria, criou um sindicato interno para seus trabalhadores/as. Em outra fábrica, algumas trabalhadoras que reclamavam contra as condições de trabalho e salário foram despedidas e pediram apoio ao United Hebrew Trade, Associação de Trabalhadores Hebreus. Então as trabalhadoras da Triangle quiseram retirar alguns recursos do sindicato interno para ajudar as companheiras mas não o conseguiram. Fizeram piquetes na porta da Triangle, que contratou prostitutas para se misturarem às manifestantes, pensando assim dissuadi-las de seus propósitos. Ao contrário, o movimento se fortaleceu.
Uma greve geral começou a ser considerada pelo presidente da Associação dos Trabalhadores Hebreus, Bernardo Weinstein, sempre com o objetivo de melhorar as condições de trabalho da indústria de roupas. A idéia se espalhou e, em 22 de novembro de 1909, organizou-se uma grande reunião na Associação dos Tanoeiros liderada por Benjamin Feigenbaum e pelo Forward. A situação era extremamente tensa e, durante a reunião, subitamente uma adolescente, baixa, magra, se levantou e pediu a palavra: “Estou cansada de ouvir oradores falarem em termos gerais. Estamos aqui para decidir se entramos em greve ou não. Proponho que seja declarada uma greve geral agora!” . A platéia apoiou de pé a moção da jovem Clara Lemlich.
Política e etnia
No movimento dos trabalhadores as relações étnicas tinham peso fundamental, razão pela qual, para garantir um compromisso com a greve, Feigenbaum usou um argumento de extraordinária importância religiosa para os judeus. Ele perguntou à assembléia: “Vocês se comprometerão com o velho mandamento judaico?” Uma centena de mãos se ergueram e todos gritaram: “Se eu esquecer de vós, ó Jerusalém, que eu perca minha mão direita”. Era um juramento de que não furariam a greve.
Cerca de 15 mil trabalhadores do vestuário, a maioria moças, entraram em greve, provocando o fechamento de mais de 500 fábricas. Jovens operárias italianas aderiram, houve prisões, tentativas de contratar novas trabalhadoras, o que tornou o clima muito tenso. A direção da greve ficou com a Associação dos Trabalhadores Hebreus e com o Sindicato Internacional de Trabalhadores na Confecção de Roupas de Senhoras (International Ladies’ Garment Workers’ Union  ILGWU).
À medida que as grandes empresas cederam algumas reivindicações, a greve foi se esvaziando e se encerrou em 15 de fevereiro de 1910 depois de 13 semanas.
O incêndio
Pouco tinha sido alterado, sobretudo nas fábricas de pequeno e médio porte, e os movimentos reivindicatórios retornaram. A reação dos proprietários repetia-se: portas fechadas durante o expediente, relógios cobertos, controle total, baixíssimos salários, longas jornadas de trabalho.
O dia 25 de março de 1911 era um sábado, e às 5 horas da tarde, quando todos trabalhavam, irrompeu um grande incêndio na Triangle Shirtwaist Company, que se localizava na esquina da Rua Greene com a Washington Place. A Triangle ocupava os três últimos de um prédio de dez andares. O chão e as divisórias eram de madeira, havia grande quantidade de tecidos e retalhos, e a instalação elétrica era precária. Na hora do incêndio, algumas portas da fábrica estavam fechadas. Tudo contribuía para que o fogo se propagasse rapidamente.
A Triangle empregava 600 trabalhadores e trabalhadoras, a maioria mulheres imigrantes judias e italianas, jovens de 13 a 23 anos. Fugindo do fogo, parte das trabalhadoras conseguiu alcançar as escadas e desceu para a rua ou subiu para o telhado. Outras desceram pelo elevador. Mas a fumaça e o fogo se expandiram e trabalhadores/as pularam pelas janelas, para a morte. Outras morreram nas próprias máquinas. O Forward publicou terríveis depoimentos de testemunhas e muitas fotos.
Morreram 146 pessoas, 125 mulheres e 21 homens, na maioria judeus.
A comoção foi imensa. No dia 5 de abril houve um grande funeral coletivo que se transformou numa demonstração trabalhadora. Apesar da chuva, cerca de 100 mil pessoas acompanharam o enterro pelas ruas do Lower East Side. No Cooper Union falou Morris Hillquit e no Metropolitan Opera House, o rabino reformista Stephen Wise.
A tragédia teve conseqüências para as condições de segurança no trabalho e sobretudo serviu para fortalecer o ILGWU.
Para autores como Sanders, todo o processo, desde a greve de 1909, mais o drama do incêndio da Triangle, acabou fortalecendo o reconhecimento dos sindicatos. O ILGWU, de conotação socialista e um dos braços mais ‘radicais’ do American Federation of Labour (AFL), se tornou o maior e mais forte dos Estados Unidos naquele momento.
Atualmente no local onde se deu o incêndio foi construída a Universidade de Nova Iorque . Uma placa, lembrando o terrível episódio, foi lá colocada:
“Neste lugar, em 25 de março de 1911, 146 trabalhadores perderam suas vidas no incêndio da Companhia de Blusas Triangle. Deste martírio resultaram novos conceitos de responsabilidade social e legislação do trabalho que ajudaram a tornar as condições de trabalho as melhores do mundo (ILGWU)”.
Mulheres e movimentos sociais
No século XX, as mulheres trabalhadoras continuaram a se manifestar em várias partes do mundo: Nova Iorque, Berlim, Viena (1911); São Petersburgo (1913). Causas e datas variavam. Em 1915, Alexandra Kollontai organizou uma reunião em Cristiana, perto de Oslo, contra a guerra. Nesse mesmo ano, Clara Zetkin faz uma conferência sobre a mulher. Em 8 de março 1917 (23 de fevereiro no Calendário Juliano), trabalhadoras russas do setor de tecelagem entraram em greve e pediram apoio aos metalúrgicos. Para Trotski esta teria sido uma greve espontânea, não organizada, e teria sido o primeiro momento da Revolução de Outubro.
Na década de 60, o 8 de Março foi sendo constantemente escolhido como o dia comemorativo da mulher e se consagrou nas décadas seguintes. Certamente esta escolha não ocorreu em conseqüência do incêndio na Triangle, embora este fato tenha se somado à sucessão de enormes problemas das trabalhadoras em seus locais de trabalho, na vida sindical e nas perseguições decorrentes de justas reivindicações.
Lenin: o que importava era a política de massas e não o direito das mulheres
Mulheres e homens jovens tinham muitas outras preocupações além das questões trabalhistas e do sistema político. Nem sempre a liderança comunista entendia essas necessidades, como foi o caso de Lenin e de muitos outros líderes. Em seu Diário, Clara Zetkin relata o que ouvira do camarada e amigo Lenin, ao visitá-lo no Kremlin, em 1920. Lenin lamentava o descaso pelo Dia Internacional da Mulher que ela propusera em Copenhagem, pois este teria sido um oportuno momento para se criar um movimento de ‘massa’, internacionalizar os propósitos da Revolução de 17, agitar mulheres e jovens. Para alcançar este objetivo, afirmava ele, era necessário discutir exclusivamente os problemas políticos e não perder tempo com aquelas discussões que os jovens trabalhadores traziam para os grupos políticos, como casamento e sexo. Lenin estendia suas críticas ao trabalho de Rosa Luxemburgo com prostitutas: “Será que Rosa Luxemburgo não encontrava trabalhadores para discutir, era necessário buscar as prostitutas?”
Esta visão de Lenin fez escola na esquerda. A experiência do ‘amor livre’ nos primeiros anos pós-Revolução trouxe enormes conflitos que levaram à restauração do sistema de família regulamentado pelo contrato civil. Temas relativos ao corpo, à sexualidade, à reprodução humana, relação afetiva entre homens e mulheres, aborto, só foram retomados 40 anos mais tarde pelo movimento feminista.
O 8 de Março no Brasil
No Brasil vê-se repetir a cada ano a associação entre o Dia Internacional da Mulher e o incêndio na Triangle quando na verdade Clara Zetkin o tenha proposto em 1910, um ano antes do incêndio. É muito provável que o sacrifício das trabalhadoras da Triangle tenha se incorporado ao imaginário coletivo da luta das mulheres. Mas o processo de instituição de um Dia Internacional da Mulher já vinha sendo elaborado pelas socialistas americanas e européias há algum tempo e foi ratificado com a proposta de Clara Zetkin.
Nas primeiras décadas do século XX, o grande tema político foi a reivindicação do direito ao voto feminino. Berta Lutz, a grande líder sufragista brasileira, aglutinou um grupo de mulheres da burguesia para divulgar a demanda. Ousadas, espalharam de avião panfletos sobre o Rio de Janeiro, pedindo o voto feminino, no início dos anos 20! Pressionaram deputados federais e senadores e se dirigiram ao presidente Getúlio Vargas. Afinal, o direito ao voto feminino foi concedido em 1933 por ele e garantido na Constituição de 1934. Mas só veio a ser posto em prática com a queda da ditadura getulista, e as mulheres brasileiras votaram pela primeira vez em 1945.
Em 1901, as operárias, que juntamente com as crianças constituíam 72,74% da mão-de-obra do setor têxtil, denunciavam que ganhavam muito menos do que os homens e faziam a mesma tarefa, trabalhavam de 12 a 14 horas na fábrica e muitas ainda trabalhavam como costureiras, em casa. Como mostra Rago, a jornada era de umas 18 horas e as operárias eram consideradas incapazes física e intelectualmente. Por medo de serem despedidas, submetiam-se também à exploração sexual.
Os jornais operários, especialmente os anarquistas, reproduziam suas reclamações contra a falta de higiene nas fábricas, o assédio sexual, as péssimas condições de trabalho, a falta de pagamento de horas extras, um sem número de abusos. Para os militantes operários, a fábrica era um local onde as mulheres facilmente se prostituíam, daí reivindicarem a volta das mulheres para casa. Patrões, chefes e empregados partilhavam dos mesmos valores: olhavam as trabalhadoras como prostitutas.
Entre as militantes das classes mais altas, a desqualificação do operariado feminino não era muito diferente: partilhavam a imagem generalizada de que operárias eram mulheres ignorantes e incapazes de produzir alguma forma de manifestação cultural. A distância entre as duas camadas sociais impedia que as militantes burguesas conhecessem a produção cultural de anarquistas como Isabel Cerruti e Matilde Magrassi, ou o desempenho de Maria Valverde em teatros populares como o de Arthur Azevedo .
Como as anarquistas americanas e européias, as brasileiras (imigrantes ou não) defendiam a luta de classes mas também o divórcio e o amor livre, como escrevia A Voz do Trabalhador de 1 de fevereiro de 1915: “Num mundo em que mulheres e homens desfrutassem de condições de igualdade... Vivem juntos porque se querem, se estimam no mais puro, belo e desinteressado sentimento de amor”.
A distinção entre anarquistas e comunistas foi fatal para uma eventual aliança: enquanto as comunistas lutavam pela implantação da “ditadura do proletariado”, as anarquistas acreditavam que o sistema partidário reproduziria as relações de poder, social e sexualmente hierarquizadas.
No PC a diferenciação de gênero continuava marcante: as mulheres se encarregavam das tarefas ‘femininas’ na vida quotidiana do Partido. Extremamente ativas, desenvolveram ações externas de organização sem ocupar qualquer cargo importante na hierarquia partidária. Atuavam, por exemplo, junto a crianças das favelas ou dos cortiços, organizavam colônias de férias, supondo que poderiam ensinar às crianças novos valores.
Zuleika Alembert, a primeira mulher a fazer parte da alta hierarquia do PC, eleita deputada estadual por São Paulo em 1945, foi expulsa do Partido quando fez críticas feministas denunciando a sujeição da mulher em seu próprio partido.
O feminismo dos anos 60 e 70 veio abalar a hierarquia de gênero dentro da esquerda. A luta das mulheres contra a ditadura de 1964 uniu, provisoriamente, as feministas e as que se autodenominavam membros do ‘movimento de mulheres’. A uni-las, contra os militares, havia uma data: o 8 de Março. A comemoração ocorria através da luta pelo retorno da democracia, de denúncias sobre prisões arbitrárias, desaparecimentos políticos.
A consagração do direito de manifestação pública veio com o apoio internacional – a ONU instituiu, em 1975, o 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher.
Entrou-se numa nova etapa do feminismo. Mas velhos preconceitos permaneceram nas entrelinhas. Um deles talvez seja a confusa história propalada do 8 de Março, em que um anti-americanismo apagava a luta de tantas mulheres, obscurecendo até mesmo suas origens étnicas.
Referências bibliográficas
Alves, Branca Moreira. Ideologia e feminismo: a luta pelo voto feminino no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1980.
Bosi, Ecléa. Simone Weil: a razão dos vencidos. São Paulo: Brasiliense, 1982
Chevalier, Charles. Classes laborieuses et classes dangereuses à Paris pendant la première moitié du XIXe. siècle. Paris: Hachette, 1984
Chombart de Lauwe, M.J; Chombart de Lauwe , Paul Henri et alii. La femme dans la sociétè: son image dans différents milieux sociaux. Paris: CNRS, 1963.
Howe, Irving; Libo, Kenneth. How We Lived. A Documentay History of Immigrant Jews in America. 1880-1930. USA: Richard Marek Publishers, 1979.
Isis Creation for the Australian Women’s Inta network.. Internet. A History of International Women’s Day Origins. http://www.isis.aust.com/iwd.
Lobo, Elisabeth Souza . Emma Goldman: a vida como revolução. São Paulo: Brasiliense, 1983.
Marin, Alexandra Ayala. “Caja de Pandora”. Clara Zetkin. Entrevista dada para UNIFEM. Ver. www4.ecua.net.ec/unifem/verscon3/entrevsta.htm (verificar)
Minczeles, Henri. Histoire générale du BUND, un mouvement révolutionnaire juif. Paris: Austral, 1995.
Sanders, Ronald. The Dowtown Jews. Portraits of an Immigrant Generation. New York: Dover Publications, Inc., 1987.
Shepherd, Naomi. A Price Below Rubies. Jewish Women as Rebels and Radicals. Harvard University Press. Cambridge. Massachusetts, 1993.
Zetkin, Clara . My Recollections of Lenin ( An Interview on Woman Question) Apêndice pp. 87-122 in V.I. Lenin. The Emancipation of Women . International Publishers. New York. 1972 ( a primeira edição é de 1934). SBN 7178-0290-6
Rago, Margareth. Do cabaré ao lar: a utopia da cidade disciplinar. 1890-1930. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.


Dados biográficos da Autora.


Eva Alterman Blay


Profa Titular de Sociologia da Universidade de São Paulo. Coordenadora Científica do NEMGE ( Núcleo de estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero) da USP. Autora de “Trabalho Domesticado- a mulher na indústria paulista” ( Ática, 1978;) As Prefeitas, Avenir (s/d) ,e outros livros e artigos sobre gênero, habitação operária, participação política. Foi Senadora da República entre 1992/1994.

24 de ago de 2009

Ementas: Indice

Gênero e Saúde Materna
Prevenção e Promoção da Saúde no Campo da Sexualidade I
Prevenção e Promoção da Saúde no Campo da Sexualidade II
Pesquisa Psicossocial da Desigualdade: ética, método e técnicas
Gêneros e Sexualidades em Contextos Psicossociais Diversos
Identidade coletiva, gênero e educação

Ementas VIII: 2 Disciplinas - Disciplinas:( Gênero e Antropologia ) e ( Identidade coletiva, gênero e educação)

1- Disciplina: FLS 5275-1- Gênero e Antropologia

Professor responsável: Heloisa Buarque de Almeida

Justificativa: Gênero tornou-se uma categoria e uma reflexão teórica muito relevante nas ciências humanas nas últimas três décadas. Sua produção teórica específica tem tido um desenvolvimento e uma produção crescente desde a década de 1970, em diálogo com as teorias sociais, com reflexões acerca das formas de poder e de desigualdade que são social e culturalmente produzidas. Os debates sobre gênero dialogam intensamente com as revisões acerca dos conceitos de sociedade, natureza, cultura, poder, violência, e com as questões de direitos humanos.

Objetivos: Esta disciplina apresenta a área dos estudos de gênero mostrando inicialmente sua relação com os debates fundamentais da antropologia (como a dicotomia natureza / cultura). Reconhecendo as relações desta área com a questão das formas de poder, a disciplina aponta para a forma como o conceito de gênero advém dos estudos sobre mulheres e dos estudos feministas. Nesse debate com os trabalhos sobre mulheres e com as propostas feministas, a disciplina explora também o problema contemporâneo da identidade e de seu papel político. A partir da bibliografia que construiu a noção de gênero nos anos 70, a disciplina busca acompanhar os desdobramentos teóricos posteriores em diálogo intenso com áreas afins à antropologia. Também se pretende explorar as relações entre gênero e outras formas de diferenciação social, como a questão da raça e o problema que advém do reconhecimento da extrema diversidade entre as mulheres. Desta forma, a disciplina pretende contribuir para que os alunos percebam a importância e as possibilidades de uso da reflexão sobre gênero em diversos campos e objetos de pesquisa.

Conteúdo: Neste semestre de 2009 a disciplina deve começar com a leitura de algumas etnografias que tratam do lugar da mulher em sociedades distintas, e das construções simbólicas acerca do feminino e do masculino. Tais textos – entre outros que serão indicados – são exemplos de estudos sobre gênero e/ou sobre mulheres que vão auxiliar na leitura de textos mais teóricos. A partir daí haverá uma breve revisão do problema da dicotomia natureza e cultura, seguida de algumas formulações sobre o conceito de gênero. Em seguida, o curso aponta a influência do pensamento foucaultiano e a decorrente desconstrução do sexo, e como isso afeta a noção de gênero. Serão discutidos ainda a questão das mulheres, do feminismo e o problema da identidade; e a questão das intersecções, com foco na questão da “raça”, particularmente.

Com este arcabouço teórico, a disciplina se voltará a para a discussão da família, e da correlação entre estudos antropológicos de gênero e família. Aqui teremos tanto leituras teóricas como etnográficas.

NOTA: é fundamental que os alunos leiam textos em língua inglesa.

Cronograma

1ª aula - ATENÇÃO: esta primeira aula não é apenas uma apresentação, é importante a presença de todos os alunos matriculados.

Apresentação da disciplina e seu cronograma, discussão geral do conceito de gênero, esboçando em linhas gerais a trajetória da disciplina. Apresentação dos alunos; discussão inicial sobre gênero e projetos de pesquisa; indicação de bibliografia complementar para alunos de fora das Ciências Sociais. Apresentação do vídeo “5 Mulheres de Paraisópolis”

Indicação de bibliografia:

MOORE, Henrietta: "Compreendendo Sexo e Gênero". In: T. INGOLD (org.) Companion Encyclopedia of Anthropology, London, Routledge, 1997 (tradução de Júlio Assis Simões).

2ª aula - Leituras etnográficas

Bibliografia obrigatória:

ABU-LUGHOD, Lila: Capítulo 1, “Guest and daughter” e Capítulo 4 “Modesty, Gender and sexuality” in: Veiled Sentiments – honor and poetry in a Bedouin society, Berkeley, University of California Press, 1988

ALMEIDA, Miguel Vale de: “Género, Masculinidade e Poder: revendo um caso do sul de Portugal”, Anuário Antropológico/95, RJ, Tempo Brasileiro, 1996

CLASTRES, Pierre: "O arco e o cesto". A Sociedade Contra o Estado, Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1978.

ENGEL, Magali: “Psiquiatria e Feminilidade” in: DEL PRIORI, Mary (org.): História das Mulheres no Brasil, São Paulo, Contexto, 1997

KULICK, Don: Travesti: prostituição, sexo, gênero e cultura no Brasil. Rio de Janeiro, Ed. Fiocruz, 2008. Cap.5: “Travesti, Gênero, Subjetividade”

Bibliografia suposta, que os alunos devem conhecer:

Margaret MEAD: Sexo e Temperamento, São Paulo, Ed. Perspectiva, 1999.

3ª aula – Debate sobre natureza e cultura, e o problema da opressão universal das mulheres

Bibliografia obrigatória:

RUBIN, Gayle: “El Tráfico de Mujeres: notas sobre la “economia política” del sexo”, Nueva Antropología, Vol. VIII, n. 30, México, 1986 (original em inglês, há tradução para o português não publicada)

FRANCHETO, Bruna et al. (1981), "Antropologia e Feminismo", Perspectivas Antropológicas da Mulher Rio de Janeiro, Zahar, vol.1, n,1, 1981.

CHAPERON, Sylvie: “A segunda Simone De Beauvoir”, Novos Estudos CEBRAP, n. 57, julho, 2000, PP.103-123

Bibliografia suposta, que os alunos devem conhecer (quem não leu, deve ler):

LÉVI-STRAUSS, Claude: Estruturas Elementares do Parentesco, Petrópolis, Vozes, 1982 - capítulos 1 e 3

LÉVI-STRAUSS, Claude: "A família", in: SHAPIRO, Harry: Homem, cultura e sociedade, Ed. Fundo de Cultura, 1956 (há uma versão do mesmo texto em O olhar distanciado - capítulo 3)

Bibliografia complementar:

ROSALDO, Michelle e LAMPHERE, Louise: A Mulher, A Cultura, A Sociedade, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979

ROSALDO, Michelle "O uso e o abuso da antropologia: reflexões sobre o feminismo e o entendimento inter-cultural". Horizontes Antropológicos, ano 1, n.1. 1995

4ª aula - Problematizando a oposição natureza e cultura

Bibliografia obrigatória:

MACCORMACK, Carol: “Nature, Culture and Gender: a critique” in: MACCORMACK, Carol e STRATHERN, Marilyn (orgs.) Nature, culture and gender. Cambridge, Cambridge University Press, 1980.

BLOCH, Maurice e BLOCH, Jean: “Women and the dialectics of nature” in: MACCORMACK, Carol e STRATHERN, Marilyn (orgs.) Nature, culture and gender. Cambridge, Cambridge University Press, 1980.

STOLCKE, Verena: “La mujer es puro cuento: La cultura del género” Estudos Feministas, 12 (2), 2004, PP.77-105 (disponível no scielo)

PISCITELLI, Adriana. “Nas fronteiras do natural. Perspectivas feministas, gênero e parentesco”. Revista Estudos Feministas, Rio de Janeiro, v. 6, n. 2, p. 305-323, 1998.

Bibliografia complementar:

STRATHERN, Marilyn: “No nature, no culture: the Hagen case” in: MACCORMACK, Carol e STRATHERN, Marilyn (orgs.) Nature, culture and gender. Cambridge, Cambridge University Press, 1980.

MATHIEU, Nicole-Claude: “Homme-culture e femme-nature?” L’Homme, Tomo XII, 1973, n. 3

5ª aula –Conceito de gênero

Bibliografia obrigatória:

SCOTT, Joan: “Gender: a useful category of historical analysis” in: Gender and the politics of history, New York, Columbia Univ. Press (ou na tradução: “Gênero: uma categoria útil de análise histórica”, Educação e Realidade, Porto Alegre, 16 (2), jul-dez 1990, pp. 5-22 – ATENÇÃO!! - não usar tradução disponível da internet, pois não é o texto completo)

HARAWAY, Donna: “‘Gênero’ para um dicionário marxista: a política sexual de uma palavra”, cadernos pagu, 22, 2004 (disponível no scielo)

De LAURETIS, Teresa: "A Tecnologia do Gênero" in: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (org.), Tendências e Impasses - O Feminismo como Crítica da Cultura, Rio de Janeiro, Rocco, 1994.

NICHOLSON, Linda: “Interpretando o gênero” Rev. Estudos Feministas, 8 (2), 2000, pp.9-41

6ª aula - A influência foucaultiana na teoria do gênero

Bibliografia obrigatória:

FOUCAULT, Michel: História da Sexualidade – A vontade de saber, Vol. 1, Rio de Janeiro, Graal, 1977

FERNÁNDEZ, Josefina: “Foucault: marido o amante?” Estudos Feministas, vol. 8, n. 2, 2000

7ª aula - Quando o sexo é gênero – o corpo como questão, e retomando o debate natureza e cultura

Bibliografia obrigatória:

LAQUEUR, Thomas: Inventando o sexo: corpo e gênero dos gregos a Freud, Rio de Janeiro, Relume-Dumará, 2001

MARTIN, Emily. 1992 [1987]. The Woman in the Body. A Cultural Analysis on Reproduction. Boston, Beacon Press (Parte 2: “Science as a cultural system”, capítulos 3 e 4) – há uma versão em português da Garamond

Bibliografia suposta:

MAUSS, Marcel: “As Técnicas do Corpo” in: Sociologia e Antropologia, São Paulo, Cosac e Naify, 2003 (ou na versão da edição mais antiga: “As Técnicas Corporais”)

8ª aula –A noção de raça como problema, e a racialização como marca de identidade

Bibliografia obrigatória:

APPIAH, Kwame Anthony: Na casa de meu pai – A África na filosofia da cultura. Rio de Janeiro, Contraponto, 1997 – capítulos 2 - “As ilusões da raça” e 9 – “Identidades Africanas”

HALL, Stuart: A questão da identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro, DP&A, 1999.

HALL, Stuart: “Que ‘negro’ é esse na cultura negra?” in: Da Diáspora: identidades e mediações culturais, Belo Horizonte, Ed. UFMG, 2003

9ª aula - Gênero em sua relação com raça e outras diferenças

Bibliografia obrigatória:

STOLCKE, Verena: “Is sex to gender as race to ethnicity?” in Teresa DEL VALLE: Gendered Anthropology, London, Routledge. (traduzido e um pouco diferente porque escrito antes em português: “Sexo está para gênero assim como raça para etnicidade?”, Estudos Afro-Asiáticos, n. 20, 1991)

STOLCKE, Verena: “O enigma das Interseções: classe, “raça”, sexo, sexualidade. A formação dos impérios transatlânticos do século XVI ao XIX” Estudos Feministas, 14(1): janeiro-abril, 2006, pp. 15-41 (disponível no scielo)

CORRÊA, Mariza: “Sobre a invenção da mulata”. cadernos pagu, 6/7, 1996 pp. 35-50

BRAH, Avtar: “Diferença, diversidade, diferenciação”, cadernos pagu, 26, 2006, pp. 329-376 (disponível no scielo)

(indicação complementar: artigos de Laura Moutinho e Osmundo Pinho em cadernos pagu n. 23, 2004)

10ª aula - Se sexo é gênero, como pensar o problema da identidade?

Bibliografia obrigatória:

BUTLER, Judith: Problemas de Gênero. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira. 2003 – Capítulo 1, parte 4 do Capítulo 3 (Inscrições corporais), e Conclusão

BUTLER, Judith: Bodies that Matter. New York, Routledge, 1993 (Introdução)

Bibliografia complementar:

FERNÁNDEZ, Josefina: “Los cuerpos del feminismo” (2000, mimeo, publicado in: MAFFÍA, Diana (org.) Sexualidades migrantes. Género y transgénero. Ed. Feminiaria, Buenos Aires, 2003)

RAMIREZ, Martha: “Do centro à periferia: os diversos lugares da reprodução nas teorias de gênero” in H.B. Almeida et alli (orgs.) Gênero em Matizes, Bragança Paulista, EDUSF, 2001

11ª aula

Contribuições de Marilyn Strathern ao debate – as revisões da própria tradição da antropologia

STRATHERN, Marilyn: “No nature, no culture: the Hagen case” in: MACCORMACK, Carol e STRATHERN, Marilyn (orgs.) Nature, culture and gender. Cambridge, Cambridge University Press, 1980.

Marilyn STRATHERN. O Gênero da Dádiva, Campinas, Ed. Unicamp, 2007 (capítulos 1,2) - Indico também para os mais interessados os capítulos 5, 7 e 11.

STRATHERN, Marilyn: "Necessidade de Pais e Necessidade de Mães", Estudos Feministas, Vol. 3, n. 2, 1995.

Complementar:

Marilyn STRATHERN: “Entre uma melanesianista e uma feminista”, cadernos pagu, 8/9, 1997, pp.7-49

Marilyn STRATHERN: “An awkward relationship: the case of feminism and anthropology”, Signs, vol. 12, n.2, 1987

12ª aula –Gênero e Poder

Pierre BOURDIEU: A Dominação Masculina. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2007 [1998] (há uma versão resumida do argumento num artigo traduzido na revista Educação e Realidade)

Miguel Vale de ALMEIDA: “Género, Masculinidade e Poder: revendo um caso do sul de Portugal”, Anuário Antropológico/95, RJ, Tempo Brasileiro, 1996

DEBERT, Guita Grin e GREGORI, Maria Filomena: Violência e gênero: novas propostas, velhos dilemas. Revista Brasileira de Ciências Sociais, Fev 2008, vol.23, no.66, p.165-185. – disponível no scielo

Complementar:

resenha de Mariza CORRÊA: “O Sexo da Dominação” Novos Estudos CEBRAP, n. 54, Julho, 1999

11ª e 12ª aulas – Família

(Estas aulas serão melhor definidas em conjunto com os alunos de pós matriculados na disciplina)

Bibliografia provável:

SCHNEIDER, David: American kinship: a cultural account. Chicago, University of Chicago Press, 1980

SEGALEN, Martine: Historical Anthropology of the Family, Cambridge, Cambridge University Press, 1986

YANAGISAKO, Sylvia e COLLIER, Jane (orgs.): Gender and kinship: essays toward a unified analysis. Stanford: Stanford University Press. 1987.

COLLIER, Jane, ROSALDO, Michelle e YANAGISAKO, Sylvia: “Is there a family?” in: THORNE, Barrie e YALOM, Marilyn: Rethinking the family, Boston, Northeastern Univ Press, 1992

CORRÊA, Mariza: “Repensando a Família Patriarcal Brasileira” in ARANTES, Antonio Augusto et al: Colcha de retalhos – estudos sobre família no Brasil, Campinas, Ed. Unicamp, 1993

STRATHERN, Marilyn: "Necessidade de Pais e Necessidade de Mães", Estudos Feministas, Vol. 3, n. 2, 1995.

PINA CABRAL, João de: O Homem na Família, Lisboa, ICS, 2003 – capítulo 4 “Lei e paternidade - as lei de filiação portuguesa”, (caps. 5 e 6 tb?)

PINA CABRAL, João de e VIEGAS, Susana de Matos: Nomes: Género, etnicidade e família. Lisboa, Almedina, 2007 (artigos a definir)

FONSECA, Claudia: “Ser mulher, mãe e pobre” em DEL PRIORI, Mary (org.): História das Mulheres no Brasil, São Paulo, Contexto, 1997

PREDROSO DE LIMA, M. Antónia: Grandes Famílias, Grandes Empresas. Lisboa, Publ. Dom Quixote, 2003

Outras referências bibliográficas

Heloisa B. ALMEIDA, Rosely COSTA, Martha RAMIREZ, Érica SOUZA: Gênero em Matizes. Bragança Paulista, EDUSF, 2002

Miguel Vale de ALMEIDA: Senhores de Si: uma interpretação antropológica da masculinidade. Lisboa, Fim de século, 1995

_______: “Corpo presente – antropologia do corpo e da incorporação” in: Almeida (org.) Corpo Presente, Oeiras, Celta editora, 1996

Susan BORDO: Unbearable Weight: feminism, western culture and the body. Berkeley, University of California Press, 1993

Judith BUTLER: “Fundamentos contingentes: o feminismo e a questão do ‘pós-modernismo’” cadernos pagu, n. 11, 1998.

Mariza CORRÊA: “Do feminismo aos estudos de gênero no Brasil: um exemplo pessoal” cadernos pagu, 16, 2001, pp. 13-30.

Mariza CORRÊA: “Fantasias Corporais” in: Adriana Piscitelli, Maria Filomena Gregori e Sérgio Carrara: Sexualidades e Saberes: Convenções e Fronteiras, Rio de Janeiro, Garamond, 2004

COSTA, Albertina e BRUSCHINI, Cristina (orgs.): Uma Questão de Gênero, Rio de Janeiro, Rosa dos Tempos/ Fundação Carlos Chagas, 1992.

Anne FAUSTO-STERLING. “Dualismos em duelo”. cadernos pagu, 17/18, 2002, p.9-79.

Nancy FRASER: “From distribution do recognition - Dilemmas of justice in a ‘post-socialist’ age” New Left Review, 212, pp.68-93, jul/ago 1996

Peggy GOLDE (ed.): Women in the Field: anthropological experiences. Berkeley, University of California Press, 1986

Maria Filomena GREGORI: “Relações de violência e erotismo”. cadernos pagu, 20, 2003, pp. 87-120. (disponível no scielo)

Maria Filomena GREGORI: Cenas e Queixas

Maria Filomena GREGORI: “Estudos de Gênero no Brasil – comentário crítico” in: MICELI, Sergio (org.): O que ler na Ciência Social Brasileira (1970-1995), São Paulo. Ed. Sumaré/Anpocs, 1999

Donna HARAWAY: Simians, Cyborg and Women: the reinvention of nature. New York, Routledge, 1991

Donna HARAWAY: "Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial", cadernos pagu, 5, 1995, pp.7-41

Maria Luiza HEILBORN e Bila SORJ: “Estudos de Gênero no Brasil” in: MICELI, Sergio (org.): O que ler na Ciência Social Brasileira (1970-1995), São Paulo. Ed. Sumaré/Anpocs, 1999

Edmund LEACH: “Nascimento Virgem” in: Roberto Da Matta (org.) Edmund Leach , São Paulo, Editora Ática.

Micaela DI LEONARDO: Gender at the crossroads of knowledge: Feminist Anthropology in the postmodern era. Berkeley, University of California Press, 1991

Beth LOBO: “A Vida como obra”. cadernos pagu, 12, 1999, pp.55-58

Bronislaw MALINOWSKI. A vida sexual dos selvagens. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1983

Tania MODLESKI: Feminism without women: culture and criticism in a “postfeminism” age. New York, Routledge, 1991

Henrietta MOORE: Antropología e Feminismo

Laura NADER: “Num Espelho de Mulher: Cegueira normativa e questões de direitos humanos não resolvidas”, Horizontes Antropológicos, ano 5, n.10, 1999

Sherry ORTNER e Harriet WHITEHEAD: Sexual Meanings, the cultural construction of gender and sexuality. Cambridge University Press, 1980.

Sherry ORTNER. Making gender: the politics and erotics of culture. Boston: Beacon Press. 1996.

Antônio Flávio PIERUCCI: “Ciladas da Diferença” Tempo Social, Revista de sociologia da USP, vol. 2,n.2, 2º semestre de 1990 e resenha crítica do livro por Maria Filomena Gregori, Estudos CEBRAP, 2000.

Adriana PISCITELLI. “Recriando a (categoria) mulher?”. In: Leila Algranti (org.) “A prática feminista e o conceito de gênero”. Textos Didáticos, nº 48. Campinas, IFCH-Unicamp, 2002, p. 7-42.

Fabíola ROHDEN: “O corpo fazendo a diferença”, Mana, v.4 n.2 Rio de Janeiro out. 1998 (disponível no scielo)

Michelle ROSALDO e Louise LAMPHERE: A Mulher, A Cultura, A Sociedade, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979

Michelle ROSALDO "O uso e o abuso da antropologia: reflexões sobre o feminismo e o entendimento inter-cultural". Horizontes Antropológicos, ano 1, n.1. 1995

Joan SCOTT: “O Enigma da igualdade”, Estudo feministas, 13 (1), 2005

Marilyn STRATHERN: O Gênero da Dádiva. Campinas, Ed. UNICAMP, 2006 – capítulos 1 e 2

Marilyn STRATHERN: “Entre uma melanesianista e uma feminista”, cadernos pagu, 8/9, 1997, pp.7-49

Marilyn STRATHERN. Reproducing the future: anthropology, kinship and the new reproductive technologies. Manchester: Manchester University Press, 1992

TORNQUIST, Carmen Susana. “Armadilhas da Nova Era: natureza e maternidade no ideário da humanização do parto” Revista Estudos Feministas 2002, vol. 10, no. 2, pp. 483-492. (disponível no scielo)

TORNQUIST, Carmen Susana. “Paradoxos da humanização em uma maternidade no Brasil”. Cad. Saúde Pública [online]. 2003, vol. 19, supl. 2 (disponível no scielo)

Sylvia YANAGISAKO e Jane COLLIER. (orgs.) Gender and kinship: essays toward a unified analysis. Stanford: Stanford University Press. 1987

Critique of Anthropology (Special Issue on Women Writing Culture), v. 3, n. 4, Dec. 1993

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2 - DISCIPLINA: Identidade coletiva, gênero e educação

DOCENTE RESPONSÁVEL :Cláudia Pereira Vianna

SIGLA DA DISCIPLINA: EDA5011

EMENTA:
O curso visa oferecer subsídios para a compreensão das teorias sobre identidade coletiva na intersecção com as relações de gênero e com a educação, problematizando as principais abordagens teóricas e as possibilidades de pesquisas na área da educação sob essa perspectiva de análise.
OBJETIVOS:

Propiciar a alunas e alunos elementos para: compreender o gênero e a identidade coletiva enquanto categorias teóricas de análise; explorar suas diferentes abordagens nas pesquisas educacionais e articular o conceito de identidade coletiva com as temáticas pertinentes às relações de gênero na análise da ação coletiva docente.

JUSTIFICATIVA:

Tradicionalmente, o foco privilegiado no uso do conceito de identidade recebeu grande influência da psicologia e sua decorrente centralização na produção da identidade individual. A discussão sobre identidade docente também apoiou-se nessa ótica individualizada de análise, sem discutir a construção da identidade coletiva, um dos vértices importantes para a constituição dos movimentos sociais e da organização docente. Além disso, a discussão dessa temática quase não tem incorporado as possíveis contribuições da perspectiva que se apoia nas relações de gênero.
Assim, esse curso procura apresentar algumas alternativas de análise que visem a intersecção entre identidade coletiva, relações de gênero e educação, bem como contribuir para a utilização do conceito de identidade coletiva nas futuras pesquisas sobre educação e organização docente.
Dessa forma, a perspectiva nele privilegiada contribui para compreendermos as possibilidades e os limites das ações coletivas, em especial nas suas dimensões que remetem às diferenças e preconceitos de gênero que muitas vezes caracterizam a identidade coletiva docente.

CONTEÚDO:
1. Recortes teóricos do conceito de identidade: abordagens não sociais do ator; teorias do comportamento coletivo; teorias de movimento social e teorias da ação coletiva.
2. Rumo ao conceito de identidade coletiva: as contribuições de Alberto Melucci.
3. Identificar x diferir?: pistas para a constituição de identidades coletivas
4. Identidade e gênero: do sexo à construção social das relações de gênero.
5. Identidade docente e relações de gênero.
6. Diferenças e preconceitos de gênero na escola: desafios para possíveis ações coletivas.

FORMAS DE AVALIAÇÃO:
O processo de avaliação levará em consideração a freqüência e a elaboração de trabalho a ser entregue ao término do curso, o qual deverá conter uma reflexão teórica sobre a temática da pesquisa desenvolvida pela/o pós-graduanda/o, tendo por base o conteúdo abordado durante o curso.

BIBLIOGRAFIA:
ARANGO, Luz; LÉON, Magdalena; VIVEROS, Mara (orgs). Gênero e identidade: ensayos sobre lo feminino y lo masculino. Colombia, FCU/UNC: 1995.
BERGER, Peter e LUCKMANN, Thomas. Mobilitá sociale e identitá personale. In: SCIOLLA, Loredana. Identitá: percorsi di analisi in sociologia. Torino: Rosenberg e Sellier, 1983, p.185-201.
BERGER, Peter; BERGER, Brigitte; Kellner, Hansfried. La pluralizzazione dei mondi della vita. In: SCIOLLA, Loredana. Identitá: percorsi di analisi in sociologia. Torino: Rosenberg e Sellier, 1983, p.169-184.
BLANCO, Marisa Revilla. El concepto de movimiento social: acción, identidad y sentido. Zona Abierta, n. 69, 1994, p. 181- 213.
BONACINI, Irma Luiz. A maior aula em praça pública: trabalho, política e imaginário das professoras primárias em Minas Gerais: 1978-1980. Campinas : 1992. Tese (Doutorado). UNICAMP.
BRUSCHINI, Maria Cristina A., AMADO, Tina. Estudos sobre mulher e educação: algumas questões sobre o magistério. Cadernos de Pesquisa, São Paulo: Cortez/Fundação Carlos Chagas, n.64, p.4-13, fev. 1988.
CAPPELLIN, Paola. Viver o sindicalismo no feminino. Revista Estudos Feministas. Rio de Janeiro: CIEC/ECO/UFRJ, nº Especial, 2º sem. 1994, p.271-90.
CARMINATI, Fábia Lilian Luciano. Conflitos e confrontos de mulheres professoras no movimento de greve. Porto Alegre: 1993. Dissertação (Mestrado). UF-RGS.
CARVALHO, Marília Pinto de. Mau aluno, boa aluna? Como as professoras avaliam meninos e meninas. Estudos Feministas. Florianópolis: CFH/CCE/UFSC, v. 9, n.2, p. 554-574, 2001.
CARVALHO, Marília Pinto de. Vozes masculinas numa profissão feminina. Estudos Feministas. Rio de Janeiro : v. 3, n.2, 1995, p.406-422.
CASTRO, Mary Garcia. Alquimia de categorias sociais na produção de sujeitos políticos. Revista Estudos Feministas, Rio de Janeiro: n.0, 1992, p.57-73.
CATANI, Denice et allii. Os homens e o magistério: as vozes masculinas nas narrativas de formação. In: BUENO, Belmira et allii (orgs). A vida e o ofício dos professores: formação contínua, autobiografia e pesquisa em colaboração. São Paulo : Escrituras, 1998, p.45-64.
CHILLEMI, Margaret Maria. Produção de subjetividade, militância e gênero. Porto Alegre : 1997. Dissertação (Mestrado), PUC-RS.
CONNELL, Robert W. Políticas da masculinidade. Educação e Realidade, Porto Alegre : v.2, n.20, p.185-206, jul./dez., 1995.
CONNELL, Robert W. Teachers’ work. Australia : Macarthur Press, 1985 (Biblioteca da FEUSP).
COSTA, Albertina de O., BRUSCHINI, Cristina (org.). Uma questão de gênero. Rio de Janeiro/São Paulo : Rosa dos Tempos/Fundação Carlos Chagas, 1992.
DUBAR, Claude. A socialização: construção das identidades sociais e profissionais. Porto: Porto Editora, 1997.
FAUSTO-STERLLING, Anne. Dualismos em duelo. Cadernos PAGU, Campinas, n. 17/18, 2001/2002, p.9-80.
FERREIRA, Fernando Ilídio. Identidades dos professores: perspectivas teóricas e metodológicas. In: ESTRELA, Albano, CANÁRIO, Rui, FERREIRA, Júlia (orgs). Formação, saberes profissionais e situações de trabalho. Lisboa : VI Colóquio Nacional da AIPELF/AFIRSE, vol. I, Universidade de Lisboa: 1996, p.309-328.
FILIPE, José M. Currículo e carreira contra biografia e identidade: responsabilidade e legitimidade na acção educativa. In: ESTRELA, Albano; CANÁRIO, Rui, FERREIRA, Júlia (orgs). Formação, saberes profissionais e situações de trabalho. Lisboa : VI Colóquio Nacional da AIPELF/AFIRSE, vol. I, Universidade de Lisboa, 1996, p.329-46.
FLAX, Jane. Pós-modernismo e as relações de gênero na teoria feminista. In: BUARQUE DE HOLLANDA, H. (org.). Pós-modernismo e política. Rio de Janeiro : Rocco, 1991, p.217-250.
GARCIA, Marco Aurélio. O gênero da militância: notas sobre as possibilidades de uma outra história da ação política. Cadernos PAGU. Campinas: Núcleo de Estudos de Gênero/UNICAMP, n.8/9, 1997, p.319-442.
GOHN, Maria da Glória. Teorias dos movimentos sociais: paradigmas clássicos e contemporâneos. São Paulo : Loyola, 1997.
GOLDENBERG, Mirian. Mulheres & militantes. Revista Estudos Feministas, Rio de Janeiro : vol.5, n.2, 1997, p.349-366.
GONÇALVES, José Alberto. Prática docente e identidade profissional. In: Formação, saberes profissionais e situações de trabalho. Lisboa: Universidade de Lisboa, VI Colóquio Nacional da AIPELF/AFIRSE, vol. I, 1996, p.363-377.
KRUPPA, Sônia Maria Portella. O movimento de professores em São Paulo: o sindicalismo no serviço público, o Estado como patrão. São Paulo : 1994. Dissertação (Mestrado), FE-USP.
LAMAS, Marta. Cuerpo e identidad. In: ARANGO, Luz; LÉON, Magdalena; VIVEROS, Mara (orgs). Gênero e identidade: ensayos sobre lo feminino y lo masculino. Colombia, FCU/UNC : 1995, p.62-81.
LARAÑA, Enrique, JOHNSTON, Hank, GUSFIELD, Joseph R. New Social Movements: from ideology to identity. Filadélfia : Temple, Un. Press, 1994.
LEFEBVRE, Henri. El manifesto differencialista. Paris: Siglo Veintiuno de España, 1972.
LOBO, Elisabeth Souza. A classe operária tem dois sexos: trabalho, dominação e resistência. São Paulo : Brasiliense/SMC, 1991.
LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista. São Paulo : Vozes, 1997
LOURO, Guacira Lopes. Gênero: questões para a educação. BRUSCHINI, Cristina; UNBEHAUM, Sandra. Gênero, democracia e sociedade brasileira. São Paulo: Ed. 34, 2002.
LOURO, Guacira Lopes. Teoria queer: uma política pós identitária para a educação. Estudos Feministas. Florianópolis: CFH/CCE/UFSC, v. 9, n.2, 2001.
LUGLI, Rosário S. Genta. Um estudo sobre o CPP (Centro do Professorado Paulista) e o movimento de organização dos professores: 1964 - 1990. São Paulo. Dissertação (Mestrado), FE-USP.
MELUCCI, Alberto (org.). Altri Codici: aree di movimento nella metropoli. Bologna : Il Mulino, 1984.
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MELUCCI, Alberto. Movimentos sociais, renovação cultural e o papel do conhecimento - entrevista a Leonardo Vritzer e Timo Lyra. Novos Estudos Cebrap, n. 40. São Paulo : CEBRAP, 1994, p.152-166.
MELUCCI, Alberto. Nomads of the present: social movements and individual needs in contemporary society. Filadélfia : Temple, Un. Press, 1989.
MELUCCI, Alberto. Passaggio d’epoca: il futuro è adesso. Milano : Feltrinelli, 1994.
MELUCCI, Alberto. Sociedade complexa, identidade e ação coletiva - entrevista a Dalila Pedrini e Adrian Scribano. In: Cadernos do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Movimentos Sociais - movimentos sociais na contemporaneidade. São Paulo: PUC-Serviço Social, n.2, abr. 1997b, p.33-63.
MELUCCI, Alberto. Sul coinvolgimento individuale nell’azione colletiva. Rassegna italiana di sociologia, ano XXVIII, n.1, genn.marzo, 1987, p.29-53.
MELUCCI, Alberto. The process of collective identity. In: KLANDERMANS, Bert, JOHNSTON, Hank (orgs.). Social Movements and culture. Minneapolis: Un. of Minnesota Press, 1995, p.41-63.
MONTEIRO, Nelma Gomes. O engajamento sindical da mulher educadora. Vitoria: 1993. Dissertação (Mestrado). UF-ES.
MORENO, Montserrat. Como se ensina a ser menina. São Paulo/Campinas: Moderna/UNICAMP, 1999.
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NÓVOA, António (org). Vidas de Professores, Porto : Porto Editora, 1992
NÓVOA, António. Para o estudo sócio-histórico da gênese e desenvolevimento da profissão docente. Teoria & Educação, Porto Alegre : Pannonica/UFRGS, n.4, 1991, p.109-139.
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VIANNA, Cláudia. Os nós do nós: crise e perspectivas da ação coletiva docente em São Paulo, São Paulo : Xamã, 1999.
VIDAL, Diana Gonçalves. Sexualidade e docência feminina no ensino primário do Rio de Janeiro (1930-1940). In: BRUSCHINI, Cristina, HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Horizontes plurais: novos estudos de gênero no Brasil. São Paulo : Fundação Carlos Chagas/Ed. 34, p.281-314.
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