24 de ago de 2009

Ementas V: 2 Discip ( "Pesquisa Psicossocial da Desigualdade: ética, método e técnicas" // Pesquisa Psicossocial da Desigualdade: ética, método e téc

Pesquisa Psicossocial da Desigualdade: ética, método e técnicas

Área de Concentração:

47134

Carga Horária

Teórica
(por semana)

Prática
(por semana)

Estudos
(por semana)

Duração

Total

3

3

4

12 semanas

120 horas


Docentes Responsáveis:

Vera Silvia Facciolla Paiva

Arley Andriolo

Marcelo Afonso Ribeiro

Objetivos

A disciplina visa trabalhar a ética e a metodologia da pesquisa psicossocial que se dedica à reprodução e à experiência das desigualdades sociais no Brasil, em particular às desigualdades étnico/raciais e de classe, ou relativas à opressão pela normatividade associada aos gêneros e às sexualidades brasileiras. Com base nas questões de pesquisa trazidas pelos alunos e no referencial da análise no quadro dos Direitos Humanos, discutiremos os acordos nacionais e internacionais de ética em pesquisa com seres humanos e exemplos de método de pesquisas nacionais brasileiras do campo psicossocial. O objetivo último do curso é interagir com os alunos para que transformem seu projeto de pesquisa em um protocolo detalhado, focalizando em especial o método de investigação fundamentado, o desenho e os instrumentos de coleta de dados, os procedimentos para obtenção de consentimento informado dos participantes quando necessário

Justificativa

No contexto atual das exigências aos pós-graduandos, é importante oferecer aos alunos da pós-graduação a experiência de revisão da literatura sobre seu tema nas bases de dados disponíveis por via eletrônica, o contato com artigos e os procedimentos utilizados para coleta de dados de seu tema de investigação, além do já esperado aprofundamento nas referências teóricas abraçadas por cada aluno e seu orientador; oferecer também aos alunos um espaço interativo para a experiência da revisão de pares, debatendo sua questão de pesquisa e o seu método; permitir aos alunos a discussão com autores no campo da pesquisa psicossocial no Brasil dedicados ao tema das desigualdades, a discussão dos “bastidores” de cada pesquisa (produção dos instrumentos, desafios do trabalho de campo e da análise dos resultados).

Conteúdo

Um protocolo de pesquisa e a definição de uma questão de pesquisa factível e relevante. Buscando inspiração nas pesquisas mais recentes sobre o tema nas bases de dados indexadas. A falsa dicotomia qualitativo-quantitativo e desenhos da pesquisa psicossocial. •Definindo sexo, gênero, raça e etnia e os desafios da pesquisa psicossocial. O quadro da vulnerabilidade social, programática e individual e dos direitos humanos. •A produção da desigualdade sócio-racial no Brasil: preconceito e discriminação no acesso aos bens e serviços públicos. •A esfera pública da desigualdade: análise de produtos culturais (livros didáticos, filmes, propagandas, revistas em quadrinhos) para identificação de estereótipos e preconceitos relacionados às diferenças de raça/etnia, gênero e manifestação da sexualidade. •A entrevista em pesquisa psicossocial: sobre escutar e compreender. •O trabalho focal com grupos como campo de pesquisa e intervenção. Narrativas e dramatizações de cenas sexuais, de homofobia e racismo e as possibilidades de desinstrumentalização de esteréotipos e preconceitos. •O pesquisador participante. •Acessando os etnométodos. •Investigações em famílias: a perspectiva psicanalítica e a perspectiva antropológica.

Forma de Avaliação Protocolo de pesquisa revisado à luz do debate desenvolvido no curso, com ênfase no metodo, na descrição e avaliação dos instrumentos para coleta de dados

Bibliografia

ABRAMO , L Desigualdade e discriminação de Gênero e Raça no Mercado de Trabalho Brasileiro e suas implicações para a formulação de uma política de emprego. / OIT.

AMATUZZI, M. Pesquisa fenomenológica em Psicologia. Em BRUNS, M. A. T.; HOLANDA, A. F. (orgs.). Psicologia e Fenomennologia: reflexões e perspectivas. Campinas: Ed. Alínea, 2003, pp. 17-25.

ANDRIOLO, Arley. Fenomenologia e Arte Moderna.. Em: Patto, MH e Frayze-Pereira, J. Pensamento Cruel, Humanidades e Ciências Humanas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007. p249-263.

AYRES, J.R..Raça como conceito emancipador e vulnerabilidade como norte para políticas de equidade em saúde. www.scielo.br (Cad Saúde Pública, RJ, 23 (3): 497-523, 2007)

AYRES, JR, FRANÇA JR, I. , CALAZANS, GJ, SALETTI Fo, HC. (2003) O conceito de vulnerabilidade e as práticas de saúde: novas perspectivas e desafios. Em Czenersnia & Machado Freitas (orgs) Promoção de saúde. Conceitos, reflexões, tendências. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ (pp. 117-139).

BLEGER, J. (1998) A entrevista psicológica. Seu emprego no diagnóstico e na investigação. Em Temas de psicologia: entrevista e grupos. SP: Martins Fontes.

BOURDIEU, P. (1997) Compreender. Em A miséria do mundo. Petrópolis: Vozes.

BRAGA, Ruy. Uma sociologia da condição proletária contemporânea. Tempo social, Revista de Sociologia da USP, 18(1), 133-152, 2006.

LOPES F. Para além das barreiras dos números. Desigualdades raciais e saúde. Cad Saúde Pública, RJ 21 (5): 1595-1601, set-out 2005. www.scielo.br

MALO, E. M. Las dimensiones fragmentaria y performativa de las subjetividades de classe. Univ. Psychol. Bogotá, 6(11), 11-25, 2007.

MARKERT, Werner. Trabalho e consciência de classe: mudanças na sociedade do trabalho e a reconstrução da teoria de classe. Tempo social, Revista de Sociologia da USP, 14(2), 19-36, 2002.

MARTINS RODRIGUES, A. Araccy Martins Rodrigues. Mulher e família entre operários e funcionários públicos. Uma comparação. Indivíduo, grupo e sociedade. Estudos de Psicologia Social. EDUSP. 2005. 27-36[publicado na Revista de Administração de Empresas, SP, 20 (2): 45-50, abr-junho 1980.]

MINAYO, C. e Sanches, O. Qualitativo e quantitativo: oposição ou complementariedade? Cadernos de Saúde Pública, RJ, 9 (3) 239-262, jul set 1993 www.scielo.br

MINAYO, M.C. (2000) O desafio do conhecimento. São Paulo: HUCITEC-ABRASCO. capítulos 2 e 3 (Pp.89-156)

MINAYO, M.C. (2000) O desafio do conhecimento. São Paulo: HUCITEC-ABRASCO. capítulos 2 e 3 (Pp.89-156)

PAIVA, V (2006) Analisando cenas e sexualidades: a promoção da saúde na perspectiva dos direitos humanos. En: Sexualidad, estigma y derechos humanos - desafios para el acesso a la salud en America Latina.1 ed.Lima, Peru : FASPA/UPCH, 2006, v.1, p. 23-52.

PAIVA, V. (1997) Anotações de aula sobre como construir instrumentos.

paiva, V. (2000) fazendo arte com camisinha. Sexualidades jovens em tempos de AIDS. São Paulo: Summus. (cap. 2 e 3 Pp. 54-105)

RIBEIRO, M. A. O projeto profissional familiar como determinante da evasão universitária – um estudo preliminar. Revista Brasileira de Orientação Profissional, 6(2), 55-70, 2005.

RICOEUR, P. Del texto a la acción. Parte II: De la hermenéutica de los textos a la hermeneutica de la acción. caps. Explicar y compreender El modelo del texto: la acción significtiva considerada como un texto. pp. 149-195. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2000.

ROSEMBERG F, BAZILLI C, da SILVA P. Racismo em livros didáticos brasileiros e seu combate: uma revisão da literatura. Educação e Pesquisa. São Paulo, vol 29, 1: 125-146. jan-jun 2003. www.scielo.br

SANTOS, B.S (2003) “Por uma concepção multicultural de direitos humanos”. (Cap. 9 do livro) Em: Boaventura Souza santos (ORG.). Reconhecer para libertar. Os caminhos do cosmopolitismo multicultural. Rio de Janeiro: Ed. CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA. (pp 427-463).

SCOTT, JW. O enigma da igualdade. Estudos Feministas, vol13 (1); 11-30, janeiro-abril/2005.

Material de apoio

NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos. 1948.

Material sobre Ética em Pesquisa deixado na pasta ou disponível em: Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas Envolvendo Seres Humanos em: http://www.ufrgs.br/bioetica/res19696.htm

Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas Envolvendo Seres Humanos em: http://www.ufrgs.br/bioetica/res19696.htm

Leitura complementar

BARBIERI, T (1991) “Sobre la categoria de Gênero. Una introducción teórico-metodológica”. In: (coor.) Azeredo S e Stolcke V. Direitos Reprodutivos. São Paulo: Fundação Carlos Chagas. pp. 25-47.

CARONE, I.; BENTO, M. A. S. (2002) Psicologia social do racismo. Estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil. Petrópolis: Ed. Vozes

CROUCH, M.; MCKENZIE, H. The logic of small samples in interview-based qualitative research. Social Science Information 2006; 45;483

DAYRELL J O rap e o funk na socialização da juventude. Educação e pesquisa, São Paulo, v.28, 1, jan/jun 2002. pp.117-136 www.scielo.br

MERLEAU-PONTY, M. O metafísico no homem. Textos selecionados. Seleção, tradução e notas Marilena Chauí. São Paulo: Nova Cultural, 1989, pp. 127-140.

MOREIRA, D. O método fenomenológico na pesquisa. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004, caps. 7-9, pp. 83-115.

Paiva, V. (2000) fazendo arte com camisinha. Sexualidades jovens em tempos de AIDS. São Paulo: Summus. (cap.5,6,7 pp. 141-242)

PAIVA, V., SEGURADO, A., FELIPE, E. V., SANTOS, N., LIMA, T. N. (2002) Sem direito de amar? A vontade de ter filhos entre homens (e mulheres) vivendo com o HIV. Revista Psicologia USP. Instituto de Psicologia - USP, v.13. Pp.105 - 134, 2002.

SOUZA, E.R (2006) Marcadores sociais da diferença e infância: relações de poder no contexto escolar. Cadernos Pagu (26), janeiro-junho:pp.169-199 www.scielo.br

WEEKS, J.(1999) “O corpo e a sexualidade”. In: Guacira Lopes Louro (org.) O corpo educado - pedagogias das sexualidades. Belo Horizonte: Autêntica (pp. 35-83).

Disc: Gêneros e Sexualidades em Contextos Psicossociais Diversos

Docente Responsável:

Vera Silvia Facciolla Paiva

Carga Horária

Teórica
(por semana)

Prática
(por semana)

Estudos
(por semana)

Duração

Total

3

3

4

12 semanas

120 horas

Objetivos: O curso visa discutir os conceitos de "gênero" e de "sexualidade", focalizando em especial a produção da pesquisa no campo das ciências sociais e da saúde, e a literatura de intervenção psicossocial da última década, forjada nos movimentos por direitos sexuais e reprodutivos estimulada pela epidemia do HIV/AIDS.

Justificativa

Multiplicam-se as pesquisas no campo psicossocial abordando a sexualidade e os gêneros para o enfrentamento de problemas cada vez mais relevantes tais como a epidemia da AIDS, os movimentos por direitos sexuais e reprodutivos, a ampliação da legitimidade para educação/orientação sexual de jovens. O curso visa responder uma demanda dos alunos, colocando em debate uma das abordagens mais relevantes para o campo psicossocial (a abordagem construcionista), abordagem que acumula contribuições brasileiras inovadoras e de ampla repercussão internacional.

Conteúdo

1. De que gênero estamos falando?; 2. Sistema de gênero e sistema sexual; 3. Atividade sexual como conduta social; 4. Vida sexual como produto de símbolos intersubjetivos; 5. Significados associados à sexualidade em diferentes contextos sociais e culturais; 6. Scripts de gênero, scripts sexuais, scripts eróticos; 7. Sexualidades brasileiras; 8. Sujeito e cena sexual; 9. "Saúde Sexual?"; 10. Identidade sexual e políticas de identidade; 11. Modelos de "intervenção" no campo da sexualidade.

Forma de Avaliação

Preparação da discussão de textos de cada aula Trabalho final: utilização do referencial construcionista para descrição e discussão de resultados de projetos

Bibliografia

AYRES, JRCM, FRANÇA JR, I. , CALAZANS, GJ, SALETTI Fo, HC. O conceito de vulnerabilidade e as práticas de saúde: novas perspectivas e desafios. In: Promoção de saúde. Conceitos, reflexões, tendências. Czenersnia & Machado Freitas (orgs). Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ.

BARBIERI, T “Sobre la categoría de Genero. Una introducción Teórico-metodológica”. In: Azeredo S e Stolcke V (coord). Direitos Reprodutivos. São Paulo: Fundação Carlos Chagas, 1991. (25-47)

BUTLER, J. O parentesco é sempre tido como heterossexual? In: Cadernos Pagú (21) 2003. Campinas: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Pág 219-261

CASTELS , M. da coleção “A era da informação”, vol 2 , “O poder da identidade”, Ed. Paz e Terra. Introdução (pág 17-20), Capítulo 1 (pelo menos pág 21-28), Capitulo 4 (inteiro, pág169-285): "Fim do patriarcalismo:movimentos sociais, família e sexualidade na era da informação".

COSTA J.F. “A construção cultural da diferença dos sexos”. In: Sexualidade, Gênero e Sociedade, ano 2, número 3, junho 1995. (págs 1,4,6-8)

MOORE, H. (1997) “Compreendendo Sexo e Gênero”. Tradução de Júlio Assis Simões para uso didático. Do original “Understanding Sex and gender”. In Tim Ingold (ed). Companion Encyclopedia of Antropology. London: Routledge

PAIVA, V. Cenas sexuais, roteiros de gênero e sujeito sexual. In: Sexualidades pelo avesso - direitos, identidade e poder.1 ed.Rio de Janeiro : Editora 34, 1999, v.1, p. 250-269.

Paiva, V., Ayres, J.R., Franca-Jr, I. Expanding the flexibility of normative patterns in youth sexuality and prevention programs. Sexuality Research & Social policy. Journal of NCRC. January 2004, Vol.1, No.1. Access at http://nsrc.sfsu.edu (tradução)

PARKER R Abaixo do Equador. Rio de Janeiro: Record, 2002.

PARKER, R. Diversidade Sexual, análise cultural e a Prevenção da AIDS. In: Parker. A construção da solidariedade. AIDS, Sexualidade e Política no Brasil. Rio de Janeiros: ABIA/RELUME-DUMARÁ

Rubin, G. (texto original de 1985) “Thinking sex: notes for a radical theory of politics of sexuality”. Tradução em espanhol disponível.

RUBIN, G.R. Entrevista: “Tráfico sexual - GAYLE RUBIN entrevistada por JUDITH BUTLER”. In: Cadernos Pagú (21) 2003. Campinas: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) Pág 157-210

SCOTT, J. (1995- tradução) “Gênero: uma categoria útil para a análise histórica”.

Sousa Santos, B. Reconhecer para libertar. Os caminhos do cosmopolitismo multicultural Rio: CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA. 2003

Textos discutidos com os alunos em 2008:

Vance, C. (texto de 1991) Traduzido em 1995. “A antropologia redescobre a sexualidade: um comentário teórico”. PHYSIS Revista de Saúde Coletiva, vol 5, no 1.
WEEKS, J.(1999) “O corpo e a sexualidade”. In: Guacira Lopes Louro (org.) O corpo educado- pedagogias das sexualidades. Belo Horizonte: Autêntica.

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